Amor Louco

Rivette, Lula e os vários tipos de corsários

janeiro 22, 2010 · 6 Comentários

A essa altura do campeonato, o que escrever sobre a chamada pirataria de filmes?

Tem gente que é contra cegamente, porque é crime. É o tipo de pessoa que acha que seguir a lei (qualquer tipo de lei) é a solução para todos os problemas da humanidade. Mas que lei? A lei de Deus, para quem acredita, é inquestionável, e tem aqueles que acham que dá até para matar por causa dela. E a dos homens? E as leis que foram forjadas por ditaduras, ou por grupos com interesses próprios que chegaram ao poder? E as leis que caducam, ou seja, valem para uma época e depois não fazem mais sentido em outra? Há vários outros tipos de lei que não somente podem, mas devem ser mudadas – o que não significa, ao contrário do que acham os devotos cegos da lei, que se possa ou se deva mudar de qualquer jeito. Para isso a o debate, essa coisa chata que existe para que funcione plenamente a democracia.

Há também o outro grupo, que acha que tem todo o direito de fazer o que quiser com um arquivo eletrônico que chega em suas mãos. Não importa que algumas pessoas possam estar sendo prejudicadas, esse grupo não vai levar isso em consideração. Não importa você levantar questionamentos legais, pois eles virão com coisas do gênero “com tanto ladrão solto por aí, eles vem se preocupar com isso”. Não importa você levantar questionamentos morais, pois eles não sabem diferenciar moralidade de moralismo. Não importa nenhuma tentativa de entender a complexidade das coisas (ou seja, pensar as partes envolvidas, ponderar, chegar a uma opinião razoável).

Esses dois grupos se parecem muito um com o outro, muit mais do que eles imaginam.

Há vários pontos, no entanto, pertinentes de serem levantados sempre, por mais batidos que sejam:

1- há uma diferença grande entre partilhar um arquivo na internet (via torrent, armazenamento em um site, p2p etc) e gravá-lo num DVD para vender. No primeiro caso, na grande maioria das vezes, a intenção é clara: disseminar. No segundo, é o lucro. Também não quero demonizar esses últimos: a falsificação da Nike ou do DVD do Tropa de Elite existe porque o capitalismo que gera o desejo de consumo nas pessoas não gera as mesmas condições de aquisição para todos. Daí entram os atravessadores. La garantia? La garantia soy jo.

2- No caso dos DVDs piratas, ainda há dois grandes grupos: os DVDs copiados de outros e aqueles originados de gravações de dentro dos cinemas. Todos tenam reproduzir a arte da capa, as informações etc. Nenhum deles tem garantia de que vai rodar. Agora, o que é quase incompreensível para mim é como alguém se submete a uma imagem e som PORCOS quando pode esperar alguns meses (cada vez menos) para ver uma imagem igual ou muito semelhante ao DVD. Isso quando não saiu o DVD internacional e não já há um torrent do filme disponível.

3- É claro pra mim, no entanto, que o grupo que COMPRA DVDs piratas é majoritariamente diferente do que baixa filmes. Mas me espanta também que em certos lugares o perfil desse grupo pode mudar bastante. Coisa que percebo em Aracaju, por exemplo (que extendo a outras cidades do Nordeste): os DVDs piratas são vendidos EM GRANDES QUANTIDADES para um público de classe média ALTA, que tem plenas condições financeiras de pagar um ingresso de cinema ou comprar um DVD original. Já presenciei a cena seguinte: o sujeito compra o DVD pirata num barzinho, vira-se para o amigo e continua a falar mal “desse políticos safados”. Há um certo prazer escroto e irracional de estar burlando alguém, quando se compra o DVD pirata. Não se sabe bem quem.

4- Há um discurso bastante comum também de que os grandes prejudicados com a pirataria são as majors. Concordo em grande parte. Corporações lucraram décadas com o esforço alheio em um negócio de fácil controle. Hoje em dia, até Bono do U2 sabe que a época do disco está acabando, ou no mínimo ficando muito diferente do que era. Mas na música há uma saída clara: os artistas usam a internet para divulgar a música, o que de certa forma até o CD pirata faz para eles, e ganham verdadeiramente fazendo shows. A lógica é outra. Talvez os superartistas diminuam em mundo no futuro – eu acho ótimo se isso acontecer. Mas há milhares de pequenos grupos e artistas que souberam tirar proveito disso sem assinar nehum contrato “fantástico” com nenhuma gravadora. Mas com cinema é diferente. O filme é o filme. Se eu baixo o DVD, eu não vou para o show do diretor depois.O filme é o filme e acaba ali.

5- De qualquer forma, é triste que boa parte das pessoas use os sistemas de compartilhamento de rede para baixarem, sei lá, 2012, ou qualquer blockbuster que se encontra facilmente em qualquer locadora, ou vai passar no cabo daqui a pouco. Pouca gente usa o verdadeiro potencial da rede: a possibilidade de garimpar pepitas, encontrar tesouros antigos escondidos, revelar algumas jóias raras até um tempo atrás. Não criemos ilusões: o percentual de gente que quer ver um filme do Pedro Costa no lugar de um filme do Spielberg é o mesmo antes e depois da internet. O que muda agora é que um cara que mora em Santo Antônio das Grotas, com uma conexão razoável e alguma paciência, pode baixar o que quiser e não se submeter a um cardápio totalmente restrito.

6- Ainda vendo essa grande vantagem, há outra contradição decorrente da nova realidade. Se, baixando um filme da Warner, você está prejucando a major (bola dentro, corsário anti-capitalista!), quando você baixa um filme de, digamos, Pablo Trapero, você não o está prejudicando? Será que não está tirando um pouco do pequeno lucro que seria investido no seu próximo filme? Estou simplificando um pouco, mas quem sabe fazer uma regra de três entende o que quero dizer. A coisa é mais complexa que isso, mas acho brabo ignorar essa questão.

No fundo, o que acho que é possível é ter uma atitude crítica sempre. É saber aproveitar o que a rede pode dar. É não comprar DVD pirata em 99,99% dos casos (e nem entro na falsa questão de que estamos alimentando os bandidos do tráfico e bla bla bla). É não deixar de ir ao cinema, nem de comprar um DVD oficial de vez em quando do diretor que tu admira (não adianta, algumas edições legais de DVD não podem ser pirateadas por causa das caixas, dos encartes etc). É saber diferenciar o questionamento da simples culpa. E é claro, se dar conta que daqui a três anos a tecnologia pode ter mudado tudo isso que penso agora, sabe-se lá.

Para terminar de forma ilustrativa, dois casos recentes:

- Ainda de férias em Aracaju, já no dia 2 de janeiro à noite fui aboradado por vendedores (mais de um, em diferentes momentos) com o DVD do filme do Lula, com o cartaz na capinha etc. Um amigo meu chegou perguntar se seria mesmo o filme. Eu estou convicto que sim, e me perguntei muito quem seria o comprador-alvo daquele DVD. Aposto com todas minhas fichas que NÃO é o cara pobre que não tem dinheiro e quer ver o filme no cinema. Tenho um palpite, com menos certeza, que é o tipo de gente que alardeia aos quatro cantos o quanto o filme é oportunista -  gente que não tem coragem de pegar uma fila pra ver, mas dentro de casa é outra história. Isso é só um palpite, lógico.

- Anteontem foi lançado em DVD na França o último Jacques Rivette, 36 Vues du Pic Saint-Loup. O filme foi dos menos “festejados” dos últimos filmes do diretor e, não sei se por causa disso, teve distribuição pífia, com presença pequena mesmo em festivais. Estreou nos cinemas em setembro e, quatro meses depois, foi para o DVD. Hoje vi o torrent do DVD inteiro, intocado, com todos os extras etc. Estou baixando agora. Se eu tiver a chance de ver depois no cinema, não perderei. Se lançarem uma edição bacana no Brasil, quem sabe eu compro?

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Meus melhores de 2009

janeiro 20, 2010 · 1 Comentário

Aqui vai minha lista de melhores filmes vistos no ano passado.

Regra interna da casa: só valem os filmes de no máximo 2007 em diante.

Two Lovers1- Two Lovers (Amantes, 2008), de James Gray
O mergulho belíssimo na intimidade de um cara dividido entre duas mulheres. E duas das melhores cenas em cima de um telhado da história.

Les herbes folles2- Les Herbes folles (Ervas Daninhas, 2009), de Alain Resnais
O filme triste mais engraçado dos últimos tempos. Só os loucos, os marginais e as crianças podem fazer o que querem.

3- – Gran Torino (2008), de Clint Eastwood
Auto-reflexão nesse nível é para poucos.

4- Entre les murs (Entre os Muros da Escola, 2008), de Laurent Cantet
Teleobjetiva da encenação do real.

5- Inglorious Basterds (Bastardos Inglórios, 2009), de Quentin Tarantino
Excitação pelas infinitas possiblidades do cinema.

6- Gabbla (Inland, 2008), de Tariq Teguia
Abstracionismo em uma paisagem dura.

7- Hunger (2008), de Steve McQueen
Belamente incômodo.

8- Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho
Sim, só vi agora. Não, não é o melhor Coutinho, mas é bom pacas. Boa dobradinha com Entre les Murs.

9- The Wrestler (O Lutador, 2008), de Daren Aronofsky
O Campeão relido por um deprimido (ouvindo Gun N’ Roses).

10- Se Nada Mais der Certo (2008), de José Eduardo Belmonte
Radiografia de uma juventude em desespero.

Mais 10 filmes, mais ou menos na ordem:

Aquele Querido Mês de Agosto (2008), de Miguel Gomes
Se, Jie (Desejo e Perigo, 2007), de Ang Lee
Los Abrazos Rotos (Abraços Partidos, 2009), de Pedro Almodovar
Coraline (2009), de Henry Selick
Wendy and Lucy (2008), de Kelly Reichardt
Milk (2008), de Gus Van Sant
L’Heure d’été (Horas de Verão, 2008), de Olivier Assayas
Moscou
(2009), de Eduardo Coutinho
Le Genou d’Artemide (2008), de Jean-Marie Straub
Public Enemies
(Inimigos Públicos, 2009), de Michael Mann

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R.I.P. Maurice Schérer

janeiro 11, 2010 · 1 Comentário

Ia retomar o blogue hoje com a indefectível lista de melhores de 2009, mas uma notícia ruim se sobrepôs. Morreu Jean-Marie Maurice Schérer, mais conhecido por Eric Rohmer.

Deixo uma imagem que vi esses dias no blogue de um amigo e que ajuda a diminuir a tristeza dessa perda:

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V Fantaspoa

julho 4, 2009 · 1 Comentário

A programação deste ano está muito boa, com clássicos fantásticos franceses, vários filmes inéditos e muito mais:

http://www.fantaspoa.com/2009/fantaspoa/index.php

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Cinema Francês – Repensando a Nouvelle Vague

junho 30, 2009 · Deixe um comentário

de 08 de julho a 12 de agosto,
às quartas-feiras, das 19 às 21h30,
na Palavraria – Livraria-Café

A Nouvelle Vague é um movimento do cinema francês bem mais comentado do que visto. Vários clichês sobre ela já foram cristalizados, mas eles correspondem realmente ao que seus filmes apresentavam? O que foi produzido pelos cineastas daquele grupo depois do período normalmente associado ao movimento? Que tipo de legado eles deixaram para o cinema francês atual?

A proposta do curso é justamente ir além do lugar-comum: discutir a Nouvelle Vague a partir da análise de trechos de vários filmes, pensar sua relação com os textos críticos, identificar possíveis seguidores e também desenhar os trajetos díspares dos cineastas daquele grupo. Para este fim, o curso vai se basear em encontros e confrontos entre obras de cineastas franceses das últimas cinco décadas, extraindo da comparação a discussão de vários temas dessa rica cinematografia.

Ministrante: Milton do Prado. Montador e produtor de cinema, sócio da produtora Clube Silêncio. Leciona no Curso de Realização Audiovisual da Unisinos. É mestrando pela Concordia University, em Montreal, e colaborador da revista Teorema.

Valor: R$ 180,00 à vista ou 2 X R$ 100,00
Quando: de 8 de julho a 12 de agosto, às quartas-feiras, das 19 às 21h30
Onde: Na Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim)
Promoção: Clube Silêncio e Palavraria

Inscrições e informações:
51 – 3227 9564 e 3212 5242 e clube@clubesilencio.com.br

(no corre-corre, a única coisa que consigo fazer aqui no blogue é auto-propaganda)

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Ausência

junho 18, 2009 · 2 Comentários

Peço desculpas a todos os leitores do blogue, mas nas últimas semanas a quantidade de trabalho tem sido descomunal.

Voltaremos em breve.

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10 anos de Sala P. F. Gastal

maio 25, 2009 · 1 Comentário

Amanhã a única sala de cinema da prefeitura de Porto Alegre, localizada na Usina do Gasômetro, completa 10 anos de atividade. Para além da comemoração óbvia de se chegar a este aniversário com todas as dificuldades orçamentárias possíveis, o que deve ser comemorado – e daí avaliado – é o fundamental papel que a sala desempenha no cenário da cidade.

Há 10 anos atrás, não existia o Cine Santander, nem o Cine Bancários, mas no centro da cidade as três salas da Casa de Cultura Mario Quintana eram a melhor opção da cidade, junto ao Cine Guion na Cidade Baixa, na criação de uma programação “alternativa”; ou seja, na falta de um nome melhor, de uma programação que não fosse ditada por lançamento das majors. Algumas outras opções tinham morrido a pouco ou estavam morrendo, apesar de se destacar pelo seu interesse: quem é de Porto Alegre deve se lembrar que o Cine ABC e o Cine Avenida, ambos na Venâncio Aires, apresentavam nos últimos meses de existência muitas vezes uma programação surpreendente, mas que não foi suficiente para manter a enorme sala única de cada um deles minimamente cheia.

Hoje a situação mudou, de uma maneira um tanto quanto esquisita: embora com as duas novas salas citadas no início do parágrafo anterior, o centro viu as salas da Casa de Cultura Mário Quintana definharem sua programação, graças a um dos casos mais explícitos de descaso público com a cultura dessa cidade – pelo local estratégico, essas salas eram referência e o maior ponto de encontro cinéfilo da década passada. O Guion, que reinava na programação para um público, digamos, mais “chique”, viu parte dele fugir para o Unibanco Arteplex, que fica no cu-do-judas, longe do centro, dentro de um shopping center, com todo o gasto adicional que isso implica e sem um charme da boemia da Cidade Baixa (boemia essa que, decadente principalmente nos finais-de-semana, também ajudou a expulsar parte do público do Guion).

De modo que o que vemos hoje é  uma situação não necessariamente melhor que a de 10 anos atrás. A programação de distribuidoras como Imovision, Pandora e outras que procuram filmes europeus, asiáticos e independentes americanos hoje é majoritariamente direcionada para as 8 (ou 9?) salas do Arteplex. O Guion luta bravamente para garantir algumas opções, enquanto que os outros cinemas viraram “de repertório” meio à força, vivendo de reprises e programas especiais (coisa que o Santander e o Cine Bancários fazem com muito mais criatividade que as salas da CCMQ, diga-se).

E a P.F. Gastal, como se mantém nesse panorama? Sem querer criar um clima de “coitadinha”, é bom lembrar que a sala fica numa das pontas do centro e cercada de contradições por todos os lados: embora seja um ponto turístico que enche durante os ensolarados finais de semana, o Gasômetro não consegue levar o público do pôr-do-sol do Guaíba para dentro da sala; embora o registro de assaltos seja o mais baixo das redondezas, a localização afasta muita gente amedrontada. Junte-se a isso os sinais dos tempos, onde cada um constrói sua filmoteca maluca em casa através dos torrents da vida, e o resultado é uma sala que luta com unhas e dentes para chamar um público cinéfilo que às vezes dá a impressão de não mais existir.

Não vou falar aqui das ações com escolas e congêneres, que enchem a sala e despertam interesse por filmes que normalmente não seriam visto por determinado público -  para isso o material de divulgação dos 10 anos da sala já dá alguma informação oficial. O que quero ressaltar aqui é o papel cultural radical que a sala vem desenvolvendo no panorama cultural da cidade.

Trabalhei na programação da P.F. Gastal no primeiro ano de existência da sala, graças ao convite da Bia Barcellos, então coordenadora de cinema e vídeo da prefeitura. Sinto orgulho de ter ajudado a definir a cara da programação naqueles primeiros tempos de dúvida, mas não tenho dúvida de que, naquele primeiro ano, a sala foi somente uma pálida sombra do que viria se transformar. Marcus Mello, que trabalha na coordenação há tempos e no fundo já fazia a programação junto comigo no primeiro ano, tocou o barco dali em diante e tirou leite de pedra oferecendo para Porto Alegre a programação menos óbvia e por isso mesmo mais estimulante da cidade.

Não vou transformar esse texto numa enumeração dos filmes que passaram pela tela de lá. Fica a sugestão para a administração da sala: coloquem no blogue toda a programação da Sala P.F. Gastal até hoje para dar a idéia exata a quem ainda duvida do papel seminal que ela desempenha para a cinefilia de Porto Alegre.

Vou ficar somente com exemplos recentes: foi na P.F. Gastal que foram exibidos, pela primeira em película por aqui, filmes de diretores asiáticos já consagrados pela crítica internacional, mas praticamente ignorados pela cinefilia local, como Apichatpong Weerasethakul, Hou Hsiao-hsien e Jia Zhang-ke. Foi lá que aconteceu, em película e com legendas eletrônicas em português, uma mostra bastante significativa do cinema de Marguerite Duras. Foi graças à P.F. Gastal que foi possível realizar em Porto Alegre uma mostra dos filmes do Cinema Marginal Brasileiro. E é na P.F. Gastal que acontece o Raros, reunião semanal (pero non troppo) cinéfila que mostra raridades do cinema de horror, refilmagens turcas de blockbusters americanos, um curta proibido de um diretor brasileiro consagrado, um dos melhores filmes de Jacques Rivette, um clássico dos anos 70 de Carlos Reichenbach, todos servidos com debates após a sessão. Seria muito mais fácil, por exemplo, exibir clássicos consagrados, repetir os independentes que passaram pelo Arteplex, ou não mexer uma palha para tentar agitar o panorama atual. Mas é por trazer mostras de ponta que circulam no país, criar criativamente outras  mostras inéditas, manter eventos regulares que criam um público restrito e fiel, estimular o debate e mostrar que mesmo o cinéfilo mais bem-informado pode ser surpreendido, que a P.F. Gastal é radical na programação.

É essa radicalidade (que alguns cínicos fariam questão de chamar de relativa, e eu diria que é relativa mesmo, como só poderia ser relativa essa minha reflexão vinda daqui de Porto Alegre) que faz com que a sala esteja longe de estar sempre cheia, e que muitas vezes frustre as expectativas da equipe que trabalha arduamente para se conseguir as cópias dos filmes. Mas é essa radicalidade que oxigena a magra programação de cinema local como poucas salas daqui fizeram e que deixaria orgulhoso aquele que deu o nome à sala.

Feliz aniversário, Sala P.F. Gastal. Parabéns para o Bernardo, o Marcus, a Angélica, a Beti e mais toda a equipe que trabalha ou já trabalhou lá. Que venham mais 10 anos de inquietação cinematográfica!

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Top 20 anos 30

maio 16, 2009 · 5 Comentários

Dando continuidade aos Top 20 da Liga dos Blogues Cinematográficos, é chegada a hora da década de 30. No meio de vários trabalhos, fiz minha lista de forma apressada. Sempre lembrando que não cabem curtas e médias, o que deixa de fora filmes como L’Age d’Or ou O Sangue do Poeta.

Eis então meu Top 20 anos 30, hoje:

1- La Règle du jeu (A Regra do Jogo, 1939), de Jean Renoir
2- L’Atalante (O Atalante, 1934), de Jean Vigo
3- M (M – O Vampiro de Dusseldorf, 1931), de Fritz Lang
4- Freaks (Monstros, 1932), de Tod Browning
5- Alexander Nevski (1938), de Sergei Eisenstein

6- Stagecoach (No Tempo das Diligências, 1939), de John Ford
7- Vampyr (O Vampiro, 1932), de Carl Theodor Dreyer
8- Der Blaue Engel (O Anjo Azul, 1931), de Josef von Sternberg
9- Zemlya (Terra, 1930), de Aleksandr Dovzhenko
10- Limite (1931), de Mario Peixoto

11- Scarface (Scarface, a Vergonha de uma Nação, 1932), de Howard Hawks
12- King Kong (1933), de Ernest B. Schoedsack e Merian C. Cooper
13- La Bête humaine (A Besta Humana, 19380 de Jean Renoir
14- City Lights (Luzes da Cidade, 1931), de Charles Chaplin
15- Fury (Fúria, 1936)  de Fritz Lang

16- Duck Soup (Diabo a Quatro, 1933), de Leo McCarey
17- The 39 Steps (Os 39 Degraus, 1935), de Alfred Hitchcock
18- Frankenstein (1931), de James Whale
19- The Wizard of Oz (O Mágico de Oz,  1939), de Victor Fleming
20- Le Crime de Monsieur Lange (O Crime do Senhor Lange, 1936),  de Jean Renoir

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The Hangover

maio 9, 2009 · 1 Comentário

Não sei se o filme vai ser tão bom quanto o trailer, em todo caso:

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Made in USA (1966)

maio 7, 2009 · 4 Comentários

Pareceu-me um dos filmes mais fracos da celebrada fase sessentista de Jean-Luc Godard: Anna Karina meio no piloto automático, reedição de idéias de outros filmes (às vezes lembra uma mistura preguiçosa de O Pequeno Soldado com Pierrot Le Fou), desperdício de boas idéias (como o personagem de Jean-Pierre Léaud) e mesmo o humor tirado das citações em situações absurdas parece não funcionar muito.

Sim, tem seus momentos de interesse, bela utilização da música, bom desfecho, aparição de uma estonteante (embora também subaproveitada) Marianne Faithfull, algumas gags realmente engraçadas e aquele talento amadurecido do Godard em enquadrar. Mas é um filme de cansaço, que os chegados em associar biografia e criação certamente vão associar ao fim de sua relação com Karina, mas que me parece mais um impasse criativo, mesmo. Como se estivesse presente também uma pergunta: dá pra ser pertinentemente político fazendo o cinema que ando fazendo (isto é, que ainda remeta a uma crítica E admiração aos EUA, essencialmente românticas)?

Dois fatos corroboram minha tese: o filme lançado no mesmo ano, Masculin féminin: 15 faits précis, onde esse impasse fique mais evidente ainda, pois na minha opinião é um dos filmes mais inócuos dele dessa fase; os filmes que vêm logo depois, 2 ou 3 choses que je sais d’elle e La Chinoise, com que parecem realocar a política em seu cinema.

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