Vai uma presença?

Sobre duas animações nostálgicas e marginais

São duas animações marginais, cada uma a seu modo e guardadas as devidas proporções, é verdade.

Comecemos com O Mágico (L’illusioniste, 2010). Dirigido pro Sylvain Chomet, que ficou conhecido por As Bicicletas de Belleville. Roteiro de Jacques Tati. Indicação ao Oscar de melhor longa de animação. Ou seja, tem capital cultural para dar e vender, o que tiraria o filme da pecha de “marginal”. Mas, enfim, considerando que o filme não tem diálogos (algumas falas são construídas com grunhidos e algumas palavras), que está passando em poucos cinemas de Porto Alegre e que nenhum deles o exibe em 3D (raridade hoje em dia em termos de desenho animado), não acho exagero a denominação. Na verdade, o que mais me incomoda no filme é justamente essa filiação que ele parece demandar a todo momento: a nostalgia, ao tempo “mágico” que se foi, encarnado na genialidade de Tati.

Só esta não tinha nada de nostálgico: sua crítica ao mundo “moderno” era mais um apelo ao humano do que um elogio aos velhos tempos. Mr. Hulot era um desastrado, um dos maiores da história do cinema, porque sua figura expressava esse desajeitamento com o mundo que surgia, cheio de máquinas novas que escondiam o que o homem tinha de mais puro – uma visão ingênua, certo, mas genial na graça que produzia, graças à arquitetura absurda – que muitas vezes nos lembrava que talvez aquele absurdo já estivesse tomando conta do mundo (o trânsito em Traffic é para mim o melhor exemplo).

Daí sua figura grande, batendo-se onde não deve, virando-se gentilmente para pedir desculpas, quando o mundo estava interessado em outra coisa. A repetição desse gestual em O Mágico, por mais fiel que seja ao “original”, é apenas uma pálida sombra de algo que já se foi. E esso é o pior efeito da nostalgia: a estagnização em algo que já passou, que era, bradam os nostálgicos, inquestionavelmente melhor e mais bonito. Daí que a marginalidade de O Mágico também funciona como commodity, pronta para ser consumida como “sensibilidade”.

Se o filme resite apesar disso é porque o traço e as cores do Chomet, que remetem a alguns desenhos da disney dos anos 70, têm uma força indiscutível, e porque a jornada que o filme propõe não enche o saco com passagens desnecessárias. Ah sim: como faz bem um desenho mais silencioso.

Já que a palavra é nostalgia, vamos para o outro marginal do grupo, Brasil Animado (2011). Um desenho animado, primeiro filme em 3D lançado no Brasil, com 250 cópias. Também aí, a princípio, nenhum traço de marginal. Mas é só olhar de perto, para mudar de idéia. Longa brasileiro de animação, com tecnologia nova, razões suficientes para levantar suspeitas (porque o domínio da tecnologia ainda é, para o espectador médio, o primeiro pecado do cinema brasileiro, seguido de perto de algo genérico que ele chama de “roteiro”). Resultado: pouco mais de 22 mil espectadores em uma semana, o que dá cerca de 90 espectadores por cópia, ou ainda pouco mais de 12 espectadores por dia. Na sessão que fui, em um shopping, havia 9, comigo e meu filho.

Essa é sua condição marginal, querer entrar à força em um mercado. Mas e o filme, o que ele é? Poia temos aqui um dos mais perfeitos exemplos de um fillme que corresponde exatamente à análise do produto (boa parte do público médio também confunde essas duas coisas, mas isso é outro assunto). A imagem de subproduto é a que fica. Mais especificamente, do subproduto de programa de TV, por três motivos:

1- Por causa de sua vocação “educativa”, pois o filme se propõe a revelar o Brasil nas suas maravilhas mais diversas. De boas intenções Brasília está cheia, e mesmo que aqui e ali pipoquem “críticas” (ao europeu que levou nossas riquezas, por exemplo), dá para dizer sem pestanejar que o filme encheria de orgulho nossos presidentes militares, pelo ufanismo tacanho e visão antiquada do que deve ser educacional.

2- Mas imaginemos o filme como programa de TV, então. Seria com certeza menos penoso, ver episódios de 15 minutos sobre as diferentes regiões do Brasil. Mas mesmo assim ele perderia feio para outros produtos parecidos, como por exemplo a genial série “Quelles drôles de bêtes“, que foi exibida no Brasil há alguns anos (não lembro o nome em português, onde um lagarto chamado Henry apresentava, em cada episódio, um aspecto do mundo animal). Assim como em Brasil Animado, esse personagem fazia comentários engraçados em cima de cenas documentais. Só que eles eram espirituosos, nada óbvios, numerosos. Tudo aquilo que os de Brasil Animado não são.

3- por fim, o aspecto que mais me intriga. A diretora e o roteirista tem experiência com desenhos animados na TV. Imagina-se que conheçam outros desenhos do gênero, se não “Quelles drôles de bêtes”, então algumas das centenas referências em animação que existem e que tratam o humor infantil de uma maneira bem diferente da que o filme trata. Dos desenhos do Cartoon aos do Discovery Kids, das produções canadenses (que vez ou outra passam no D. Kids ou na TV Cultura) aos filmes da Pixar, o que se vê é que não dá para fazer graça com o óbvio, mesmo quando é para criança, ou talvez principalmente quando é para criança. Mas a julgar pelas constrangedoras piscadelas aos adultos da platéia , o problema não está ligado ao fato de ser um filme infantil. Referências a Avatar, Fernando Meirelles e o Festival de Gramado, dezenas de lugares-comuns “regionais” que parecem ter vindo de um A Praça é Nossa, duas músicas de Ed Motta e Wilson Simoninha que repetem a exaustão; tudo isso mostra que o problema do filme está, infelizmente, mais embaixo.

Ou seja, talvez Brasil Animado (2011) seja mais perto de Brasil Animado (1928) do que alguém poderia imaginar. É, por tudo isso, um filme involuntariamente nostálgico, preso em um passado que ele acredita de alguma forma fazer ainda sentido, mas que ele não consegue nem ao menos transformar em moeda de troca e vender.

Para não falar que o filme é um desastre absoluto, vale dizer que o 3D é bom (o que me convence cada vez mais que o efeito é completamente irrelevante para o filme, assunto a que quero retornar em breve por aqui) e que meu filho de 8 anos gostou bastante (o que se deve, acho eu, a uma curiosidade ainda grande sobre um país que ele ainda conhece muito pouco, mas isso é um assunto a que não pretendo retornar aqui).

A última gravação de Orson Welles

Meus melhores de 2010

Na primeira ação na tentativa de ressucitar o blogue, aí vai minha lista de melhores filmes de 2010.

Relembrando as regras que uso:só valem os filmes que ficaram prontos nos últimos três anos (ou seja, de 2008 a 2010). Por isso, um filme como Os Amores de Astrée e Céladon, despedida de Rohmer, ficou de fora. Para ficar na Nouvelle Vague, ainda não vi Bellamy (último de Chabrol). Godard, com seu filme que é uma espécie de encontro entre suas pesquisas dos anos 80 (sobretudo a segunda parte do filme) e do História(s) do Cinema (sobretudo a terceira parte), emplacou entre os 10. Já do Rivette, 36 Vues du Pic Saint-Loup, estranho filme de despedida (para mim, está bem claro que se trada de um), é um prazer de se ver, mas não chega a ficar enter os melhores do mestre, nem do ano que passou.

Essa aliás, me pareceu outra característica do ano: cheio de bons filmes de bons cineastas veteranos: Scorsese, Coppola, Woody Allen e Eastwood fizeram obras que, na minha opinião, insuficientes para estar em um top 10 (ou top 20).

Como esse blogue não tem nenhum compromisso, vale qualquer filme dos últimos três anos, independente se foi lançado ou não comercialmente no Brasil. Ou seja, vale filme que vi em mostras, festivais, viagens, DVDs ou dvix. E, óbvio, tem muita coisa que não vi e só verei em 2011.


1- The Ghost Writer , de Roman Polanski (O Escritor Fantasma, 2010. Reino Unido, França, Alemanha)
Como filmar a paranóia em tempos de internet, arquivos digitais e inimigos políticos difusos.


2- White Material, de Claire Denis (Minha Terra África, 2010. França/Camarões)
No coração das trevas, versão feminina.


3- Standard Operating Procedure, de Errol Morris (Procedimento Operacional Padrão, 2008. EUA)
Essencial para se entender a lógica da guerra – e de como a imagem faz parte dela.

4- Vincere, de Marco Bellocchio (2009. Itália/França)
Exagerado, operístico, apaixonado, tristíssimo.

5- The Time that Remains, de Elia Suleiman (O que Resta do Tempo, 2009. Reino Unido/Itália/Bélgica/França)
Deveria ganhar um prêmio pelo que faz pela cultura palestina, sem um pingo de panfletarismo. Maravilhoso.

6- The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror, 2008. EUA)
Sam Fuller ficaria feliz se pudesse ter sido um filme de guerra como esse feito por uma mulher.

7- Film socialisme, de Jean-Luc Godard (Filme Socialismo, 2010. Suíca/França)
Obra-prima na primeira parte, trancado na segunda, voltando ao ápice na terceira. Belo e assustador filme sobre a Europa.

8- Politist, adjectiv, de Corneliu Porumboiu (Polícia, Adjetivo, 2009, Romênia)
Poucos filmes recentes tem uma curva dramática crescente tão precisa.

9- Toy Story 3, de Lee Unkrish (2010, EUA)
Consagração da Pixar, no que tem de melhor.

10- The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, de Werner Herzog (Vício Frenético, 2009. EUA)
A história se repete como farsa.

Mais 10 filmes, mais ou menos nesta ordem:

Madeo, de Joo-oh Bong (Mother – A Busca pela Verdade, 2009. Coréia do Sul)
Where the Wild Things Are, de Spike Jonze (Onde Vivem os Monstros, 2009. EUA/Alemanha)
The Social Network, de David Fincher (A Rede Social, 2010. EUA)
Ponyo, de Hayao Miyazaki (Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar, 2008. Japão)
Independencia, de Raya Martin (2009. Filipinas/França/Alemanha/Holanda)
The men who Stare at Goats, de Grant Heslov (Os Homens que Encaravam as Cabras, 2009. EUA/Reino Unido)
Fantastic Mr. Fox, de Wes Anderson (O Fantástico Sr. Raposo, 2009. EUA/Reino Unido)
Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha (2010. Brasil)
Juventude, de Domingos de Oliveira (2008. Brasil)
Where is Where, de Eija-Liisa Ahtila (2009, Finlândia)

Rivette, Lula e os vários tipos de corsários

A essa altura do campeonato, o que escrever sobre a chamada pirataria de filmes?

Tem gente que é contra cegamente, porque é crime. É o tipo de pessoa que acha que seguir a lei (qualquer tipo de lei) é a solução para todos os problemas da humanidade. Mas que lei? A lei de Deus, para quem acredita, é inquestionável, e tem aqueles que acham que dá até para matar por causa dela. E a dos homens? E as leis que foram forjadas por ditaduras, ou por grupos com interesses próprios que chegaram ao poder? E as leis que caducam, ou seja, valem para uma época e depois não fazem mais sentido em outra? Há vários outros tipos de lei que não somente podem, mas devem ser mudadas – o que não significa, ao contrário do que acham os devotos cegos da lei, que se possa ou se deva mudar de qualquer jeito. Para isso a o debate, essa coisa chata que existe para que funcione plenamente a democracia.

Há também o outro grupo, que acha que tem todo o direito de fazer o que quiser com um arquivo eletrônico que chega em suas mãos. Não importa que algumas pessoas possam estar sendo prejudicadas, esse grupo não vai levar isso em consideração. Não importa você levantar questionamentos legais, pois eles virão com coisas do gênero “com tanto ladrão solto por aí, eles vem se preocupar com isso”. Não importa você levantar questionamentos morais, pois eles não sabem diferenciar moralidade de moralismo. Não importa nenhuma tentativa de entender a complexidade das coisas (ou seja, pensar as partes envolvidas, ponderar, chegar a uma opinião razoável).

Esses dois grupos se parecem muito um com o outro, muit mais do que eles imaginam.

Há vários pontos, no entanto, pertinentes de serem levantados sempre, por mais batidos que sejam:

1- há uma diferença grande entre partilhar um arquivo na internet (via torrent, armazenamento em um site, p2p etc) e gravá-lo num DVD para vender. No primeiro caso, na grande maioria das vezes, a intenção é clara: disseminar. No segundo, é o lucro. Também não quero demonizar esses últimos: a falsificação da Nike ou do DVD do Tropa de Elite existe porque o capitalismo que gera o desejo de consumo nas pessoas não gera as mesmas condições de aquisição para todos. Daí entram os atravessadores. La garantia? La garantia soy jo.

2- No caso dos DVDs piratas, ainda há dois grandes grupos: os DVDs copiados de outros e aqueles originados de gravações de dentro dos cinemas. Todos tenam reproduzir a arte da capa, as informações etc. Nenhum deles tem garantia de que vai rodar. Agora, o que é quase incompreensível para mim é como alguém se submete a uma imagem e som PORCOS quando pode esperar alguns meses (cada vez menos) para ver uma imagem igual ou muito semelhante ao DVD. Isso quando não saiu o DVD internacional e não já há um torrent do filme disponível.

3- É claro pra mim, no entanto, que o grupo que COMPRA DVDs piratas é majoritariamente diferente do que baixa filmes. Mas me espanta também que em certos lugares o perfil desse grupo pode mudar bastante. Coisa que percebo em Aracaju, por exemplo (que extendo a outras cidades do Nordeste): os DVDs piratas são vendidos EM GRANDES QUANTIDADES para um público de classe média ALTA, que tem plenas condições financeiras de pagar um ingresso de cinema ou comprar um DVD original. Já presenciei a cena seguinte: o sujeito compra o DVD pirata num barzinho, vira-se para o amigo e continua a falar mal “desse políticos safados”. Há um certo prazer escroto e irracional de estar burlando alguém, quando se compra o DVD pirata. Não se sabe bem quem.

4- Há um discurso bastante comum também de que os grandes prejudicados com a pirataria são as majors. Concordo em grande parte. Corporações lucraram décadas com o esforço alheio em um negócio de fácil controle. Hoje em dia, até Bono do U2 sabe que a época do disco está acabando, ou no mínimo ficando muito diferente do que era. Mas na música há uma saída clara: os artistas usam a internet para divulgar a música, o que de certa forma até o CD pirata faz para eles, e ganham verdadeiramente fazendo shows. A lógica é outra. Talvez os superartistas diminuam em mundo no futuro – eu acho ótimo se isso acontecer. Mas há milhares de pequenos grupos e artistas que souberam tirar proveito disso sem assinar nehum contrato “fantástico” com nenhuma gravadora. Mas com cinema é diferente. O filme é o filme. Se eu baixo o DVD, eu não vou para o show do diretor depois.O filme é o filme e acaba ali.

5- De qualquer forma, é triste que boa parte das pessoas use os sistemas de compartilhamento de rede para baixarem, sei lá, 2012, ou qualquer blockbuster que se encontra facilmente em qualquer locadora, ou vai passar no cabo daqui a pouco. Pouca gente usa o verdadeiro potencial da rede: a possibilidade de garimpar pepitas, encontrar tesouros antigos escondidos, revelar algumas jóias raras até um tempo atrás. Não criemos ilusões: o percentual de gente que quer ver um filme do Pedro Costa no lugar de um filme do Spielberg é o mesmo antes e depois da internet. O que muda agora é que um cara que mora em Santo Antônio das Grotas, com uma conexão razoável e alguma paciência, pode baixar o que quiser e não se submeter a um cardápio totalmente restrito.

6- Ainda vendo essa grande vantagem, há outra contradição decorrente da nova realidade. Se, baixando um filme da Warner, você está prejucando a major (bola dentro, corsário anti-capitalista!), quando você baixa um filme de, digamos, Pablo Trapero, você não o está prejudicando? Será que não está tirando um pouco do pequeno lucro que seria investido no seu próximo filme? Estou simplificando um pouco, mas quem sabe fazer uma regra de três entende o que quero dizer. A coisa é mais complexa que isso, mas acho brabo ignorar essa questão.

No fundo, o que acho que é possível é ter uma atitude crítica sempre. É saber aproveitar o que a rede pode dar. É não comprar DVD pirata em 99,99% dos casos (e nem entro na falsa questão de que estamos alimentando os bandidos do tráfico e bla bla bla). É não deixar de ir ao cinema, nem de comprar um DVD oficial de vez em quando do diretor que tu admira (não adianta, algumas edições legais de DVD não podem ser pirateadas por causa das caixas, dos encartes etc). É saber diferenciar o questionamento da simples culpa. E é claro, se dar conta que daqui a três anos a tecnologia pode ter mudado tudo isso que penso agora, sabe-se lá.

Para terminar de forma ilustrativa, dois casos recentes:

– Ainda de férias em Aracaju, já no dia 2 de janeiro à noite fui aboradado por vendedores (mais de um, em diferentes momentos) com o DVD do filme do Lula, com o cartaz na capinha etc. Um amigo meu chegou perguntar se seria mesmo o filme. Eu estou convicto que sim, e me perguntei muito quem seria o comprador-alvo daquele DVD. Aposto com todas minhas fichas que NÃO é o cara pobre que não tem dinheiro e quer ver o filme no cinema. Tenho um palpite, com menos certeza, que é o tipo de gente que alardeia aos quatro cantos o quanto o filme é oportunista –  gente que não tem coragem de pegar uma fila pra ver, mas dentro de casa é outra história. Isso é só um palpite, lógico.

– Anteontem foi lançado em DVD na França o último Jacques Rivette, 36 Vues du Pic Saint-Loup. O filme foi dos menos “festejados” dos últimos filmes do diretor e, não sei se por causa disso, teve distribuição pífia, com presença pequena mesmo em festivais. Estreou nos cinemas em setembro e, quatro meses depois, foi para o DVD. Hoje vi o torrent do DVD inteiro, intocado, com todos os extras etc. Estou baixando agora. Se eu tiver a chance de ver depois no cinema, não perderei. Se lançarem uma edição bacana no Brasil, quem sabe eu compro?

Meus melhores de 2009

Aqui vai minha lista de melhores filmes vistos no ano passado.

Regra interna da casa: só valem os filmes de no máximo 2007 em diante.

Two Lovers1- Two Lovers (Amantes, 2008), de James Gray
O mergulho belíssimo na intimidade de um cara dividido entre duas mulheres. E duas das melhores cenas em cima de um telhado da história.

Les herbes folles2- Les Herbes folles (Ervas Daninhas, 2009), de Alain Resnais
O filme triste mais engraçado dos últimos tempos. Só os loucos, os marginais e as crianças podem fazer o que querem.

3- – Gran Torino (2008), de Clint Eastwood
Auto-reflexão nesse nível é para poucos.

4- Entre les murs (Entre os Muros da Escola, 2008), de Laurent Cantet
Teleobjetiva da encenação do real.

5- Inglorious Basterds (Bastardos Inglórios, 2009), de Quentin Tarantino
Excitação pelas infinitas possiblidades do cinema.

6- Gabbla (Inland, 2008), de Tariq Teguia
Abstracionismo em uma paisagem dura.

7- Hunger (2008), de Steve McQueen
Belamente incômodo.

8- Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho
Sim, só vi agora. Não, não é o melhor Coutinho, mas é bom pacas. Boa dobradinha com Entre les Murs.

9- The Wrestler (O Lutador, 2008), de Daren Aronofsky
O Campeão relido por um deprimido (ouvindo Gun N’ Roses).

10- Se Nada Mais der Certo (2008), de José Eduardo Belmonte
Radiografia de uma juventude em desespero.

Mais 10 filmes, mais ou menos na ordem:

Aquele Querido Mês de Agosto (2008), de Miguel Gomes
Se, Jie (Desejo e Perigo, 2007), de Ang Lee
Los Abrazos Rotos (Abraços Partidos, 2009), de Pedro Almodovar
Coraline (2009), de Henry Selick
Wendy and Lucy (2008), de Kelly Reichardt
Milk (2008), de Gus Van Sant
L’Heure d’été (Horas de Verão, 2008), de Olivier Assayas
Moscou
(2009), de Eduardo Coutinho
Le Genou d’Artemide (2008), de Jean-Marie Straub
Public Enemies
(Inimigos Públicos, 2009), de Michael Mann

R.I.P. Maurice Schérer

Ia retomar o blogue hoje com a indefectível lista de melhores de 2009, mas uma notícia ruim se sobrepôs. Morreu Jean-Marie Maurice Schérer, mais conhecido por Eric Rohmer.

Deixo uma imagem que vi esses dias no blogue de um amigo e que ajuda a diminuir a tristeza dessa perda: