Meus melhores de 2012

Ressucitar o blogue? Só o tempo dirá. O fato é que, ano passado, nem lista de melhores de 2011 houve. Então, estamos no lucro, sem saber o que o futuro nos reserva.

Por enquanto, vai aqui um Top 20 de 2012. As regras são claras: vale todo filme visto em 2012, em qualquer formato, produzido nos últimos três anos (ou seja, de 2010 a 2012). Também evitei aqui a ejaculação precoce das listas de melhores do ano (teve lista saindo ainda em novembro!). Dia 7 de janeiro me parece mais que bom.

Foi  um ano de menos filmes inéditos e mais revisões. Foi um ano de reavaliações de cineastas que nem considero muito (Bertrand Bonello, Wes Anderson) e de reafirmações de alguns que voltaram com força total (Cronenberg, Scorsese, Moretti). Foi um ano também de menos filmes brasileiros vistos (mea culpa).

Vamos, então, ao que interessa:

1- Cosmópolis (Cosmopolis, 2012), de David Cronenberg
Já escrevi um artigo sobre ele na última Teorema, mas ainda assim esse filme imenso merece mais. Não é só um retrato do “novo homem capitalista” frente a um mundo que desmorona, mas um exercício de encenação com o mínimo de movimento (o “mundo” do personagem é que se move), assim como um exercício de dramaturgia a partir de uma verborragia absurda, cujo humor e peso são igualmente dosados e igualmente estranhos.


2- Habemus Papam
(2011), de Nanni Moretti
Falando em humor, verborragia e fim do mundo, aqui vai mais um exemplar aparentemente mais normal, mas que igualmente desesperador. O fim das lideranças, em um mundo que precisa se reinventar. Presente em muitas listas de 2011, mas visto somente no cinema em 2012, em Porto Alegre.


3- L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância
(L’Apollonide – Souvenirs de la maison close, 2011), de Bertrand Bonello
Aqui não há muito espaço para o humor, mas para a dor, para a condição feminina no século XIX, mas também nos dias de hoje – e ainda, de quebra, para o amor. O melhor filme de Bonello, que se reinventa aqui através do olhar cuidadoso a disposição de corpos (às vezes em movimento, às vezes em tédio absoluto) em um espaço de reclusão. Visto no início de janeiro de 2012, mantendo o impacto até o final do ano.


4- A Guerra está declarada
(La Guerre est déclarée, 2011), de Valérie Donzelli
Um dos filmes franceses mais cheios de vida dos últimos anos, talvez por levar à tela com leveza e honestidade esse desespero de salvar à vida frente à morte injusta que se anuncia. Emocionante.


5- A Invenção de Hugo Cabret
(Hugo, 2011), de Martin Scorsese
Outro a quem dediquei artigo na Teorema. Hugo é Scorsese fazendo uma das coisas que sabe mais fazer, isto é, filmes sobre cinema(s). Parece uma grande brincadeira do diretor – cheia de amor, mas ainda uma brincadeira.


6- O Abrigo
(Take Shelter, 2011), de Jeff Nichols
Uma raridade: um filme de horror com quase nenhum fotograma fora do lugar. Quando o horror é palpável ou reconhecível, então, a coisa fica mais impressionante ainda. E ainda tem Michael Shannon.


7- Holly Motors
(2012), de Leos Carax
Um grande elogio ao ator, ou uma grande constatação dos atores que somos todos, ou simplesmente ainda um grande elogio a Denis Lavant. Fragmentado, brilhante, perturbador, irritante, saboroso.


8- Um Verão Escaldante
(Un Été brûlant, 2011), de Philippe Garrel
Um dos filmes mais acessívels de Garrel, esse cineasta dos amores impossíveis. Melancólico como sempre, há novamente uma grande cena de dança, vários momentos de paixão e nenhuma vergonha em filmar nada.


9- Moonrise Kingdom
(2012), de Wes Anderson
A melhor coisa que Anderson fez até hoje, provavelmente porque ele se importa com os personagens como nunca fez antes. Agora, sim, a nostalgia “de brinquedo” do cineasta parece fazer sentido.


10- O Som ao Redor
  (2012), de Kléber Mendonça Filho
Kleber parece atingir um fato raro, principalmente num longa de ficção de estreia: construir um filme habitável, onde ao final estamos completamente familiarizados com seus espaços. Para repensar o Nordeste (e o Brasil inteiro).

Do 11 ao 20, mais ou menos nessa ordem:

J. Edgar (2011), de Clint Eastwood
As Canções (2011), de Eduardo Coutinho
Um Método Perigoso (A Dangerous Method, 2011), de David Cronenberg
Um Alguém Apaixonado (Like Someone in Love, 2012), de Abbas Kiarostami
Fausto (Faust, 2011), de Aleksandr Sokurov
Frankenweenie
(2012), de Tim Burton
Prometheus (2012), de Ridley Scott
Adeus, Primeiro Amor (Un Amour de jeunesse, 2011), de Mia Hansen-Løve
Planeta dos Macacos – a Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011), de Rupert Wyatt
As Neves do Kilimanjaro
(Les Neiges du Kilimandjaro, 2011), de Robert Guédiguian

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5 Respostas para “Meus melhores de 2012

  1. Bela lista, Milton! Comprei, inclusive, a última Teorema na Livraria Cultura daqui. Vou ler a sua crítica hoje. Grande abraço!

  2. Não vi UM VERÃO ESCALDANTE nem O SOM AO REDOR (ainda) e acho HABEMUS PAPAM superestimado mas, de resto, adorei a lista. Gosto muito de todos os outros filmes que a compõem.

  3. Gostei da inclusão de “Planeta dos Macacos – A Origem”. Pouca gente deu o valor merecido a este filme.

  4. Valeu, caro Ailton.

  5. Eu vi com atraso, em DVD. Acho o filme muito eficiente.

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