Amor Louco

Videodrome: não aceite imitações

Abril 28, 2009 · 3 Comentários

Saiu a notícia que vão refilmar Videodrome. E eu que pensava que o Cronembão, que já tascou sua refilmagem de um outro filme com A Mosca, estava livre disso. Sinceramente, certas coisas deveriam ser proibidas.

Ok, meu lado racional diz que devemos esperar pelo filme para julgá-lo. Só sei de uma coisa: duvido que o trailer da nova versão seja tão bom quanto esse:

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Ano da França: um pouco menos do mesmo

Abril 27, 2009 · 2 Comentários

Ok, temos que admitir: o tal do ano da França no Brasil ajuda, aos poucos, a sacudir a pasmacenta programação de cinema nos cinemas porto-alegrenses. Vejamos:

- Mostra Jacques Demy no Cine Bancários: já foi, perdi por causa de uma viagem. Mas foi bastante representativa, sem falar que não me lembro de nada parecido de 1994 pra cá.

- Mostra Alain Resnais no Cine Santander. Não é completa, mas é muito boa. Oportunidade de ver Stavisky e Meu Tio na América em tela grande e especular sobre Les herbes folles.

- Mostra Marguerite Duras na Sala PF Gastal. Começa semana que vem. Imperdível, a começar por India Song.

E assim caminhamos, com outras promessas alinhavadas, entre elas de trazer algum filme do Jean Eustache. Ficamos na torcida também por algum Rivette ou um Philippe Garrel mais antigo, por que não?


PROGRAMAÇÃO MOSTRA ALAIN RESNAIS (Cine Santander):

28 e 29 de abril
15h00               Hiroshima meu amor
16h45               Meu tio da América
19h00               O ano passado em Marienbad

30 de abril
14h30               Stavisky
16h45               Muriel ou O tempo de um retorno
19h00               Meu tio da América (Cineclube Projeto com Claudia Laitano)

1º e 2 de maio
15h00               Muriel ou O tempo de um retorno
17h30               Documentários 2
19h00               Hiroshima meu amor

3 de maio
15h00               Meu tio da América
17h30               Documentários 1
19h00               Stavisky

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA MARGUERITE DURAS (SALA PF GASTAL):

Sexta-feira (1º de maio)
15h – Destruir, Disse Ela
17h – As Crianças
19h – Destruir, Disse Ela

Sábado (2 de maio)
15h – As Crianças
17h – Destruir, Disse Ela
19h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas

Domingo (3 de maio)
15h – Destruir, Disse Ela
17h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
19h – India Song

Terça-feira (5 de maio)
15h – India Song
17h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melourne)
19h – India Song

Quarta-feira (6 de maio)
15h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
17h – India Song
19h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melbourne)

Quinta-feira (7 de maio)
15h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melbourne)
17h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
19h – As Crianças

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Inland

Abril 26, 2009 · Deixe um comentário

Um agrimensor topa fazer as medições numa região da Argélia devastada por conflitos e ataques terroristas. Detalhe: ele mesmo é um ex-militante político, que vive agora meio isolado do mundo. No novo trabalho, ele entra em contato com uma refugiada do Sudão que, separada do seu grupo que foi quase completamente assassinado, desiste de emigrar para a Europa e decide voltar para o país natal. A segunda parte do filme vai ser essa jornada pelo deserto, de carro, de moto, a pé, enquanto são seguidos pela lei e pelo patrão.

Essa sinopse simplificada de Inland (Gabbla, 2008), de Tariq Teguia pode deixar duas impressões erradas sobre filme:

1- que ele vai na mesma linha de, por exemplo, Exils, de Tony Gatlif. Na verdade o filme de Teguia está muito mais alinhado com boa parte da filmografia de Antonioni – arriscaria dizer que poucos filmes recentes atualizam o mestre italiano tão bem quanto esse. Que não se espere do filme então nenhum “tratado sobre incomunicabilidade”; o que importa aqui são a fricção entre os conflitos políticos e os pessoais -  ou, melhor, o questionamento e embaralhamento das fronteiras entre uns e outros -; a estranha poesia que nasce dos deslocamentos em lugares vastos, às vezes inóspitos, muitas vezes indefinidos; consequentemente, a noção bastante imprecisa de identidade. Não faltam exemplos no filme: a discussão político-revolucionária inicial em grupo (como em Zabriskie Point), o sentido de não pertencer ao lugar e possibilidade de assumir uma outra identidade (Profissão: Repórter, com direito a câmeras aproximando-se de janelas), o sexo no deserto (de novo, Zabriskie Point), mas sobretudo dos personagens em longos planos que beiram a abstração (aqui, de forma bem mais assumida, é verdade).

2- que o filme se constrói dessa forma linear e fechada. Na verdade tanto a narrativa aberta do filme expõe várias possibilidades que não se concluem (quem é o homem que se suicida no início?), quanto seu figurativismo flerta com muita facilidade com o abstrato, mostrando um grande talento para mostrar o potencial plástico de imagens aparentemente realistas do vídeo. Em suma, Inland é um filme extremamente sensorial, como era, digamos, Brown Bunny, mas muito mais bem resolvido narrativamente. E o uso da música é fantástico.

Tariq Teguia, um nome a se seguir de perto.

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Stan Brakhage – A aventura da percepção

Março 31, 2009 · 3 Comentários

Mostra imperdível para os cariocas:

Caixa Cultural apresenta
MOSTRA STAN BRAKHAGE – A AVENTURA DA PERCEPÇÃO
Mostra faz retrospectiva da obra de um dos maiores e mais influentes cineastas de todos os tempos

A Caixa Cultural Rio recebe, de 7 a 12 de abril, uma mostra dedicada a um dos gigantes do cinema mundial. Com curadoria de Fred Camper, Stan Brakhage – A aventura da percepção reúne 28 filmes, uma amostra significativa da obra de um dos mais influentes cineastas de todos tempos, divididos em seis programas temáticos. Camper estará no Brasil para apresentar os filmes da mostra, incluindo o lendário longa-metragem Dog Star Man.

Se por um lado podemos dizer que Maya Deren inventou o cinema experimental americano, por outro pode-se dizer que Stan Brakhage explorou todo o seu potencial. Sua obra, construída ao longo de mais de cinco décadas, é um compêndio dos principais temas, objetos, técnicas e invenções formais de todo o cinema de “avant-garde” dos Estados Unidos.

Nascido em 1933, Brakhage realizou seu primeiro filme aos dezenove anos. Até a data de sua morte, em março de 2003, estima-se que ele tenha realizado algo em torno de 400 filmes, cuja duração varia entre nove segundos e quatro horas e meia. Alguns são completamente abstratos; outros se utilizam de imagens documentais de modo a articulá-las de maneira associativa ou se assemelham a documentários de observação mais convencionais, embora uma análise mais atenta evidencie diferentes níveis de investigação formal.

Brakhage contribuiu também para o desenvolvimento do cinema direto. Além de ser um dos pioneiros na técnica de pintar e desenhar diretamente sobre a película, ele utilizou diversas outras práticas, tais como riscar a película ou a aplicação de diferentes materiais, além de diferentes técnicas de filmagem e montagem.

O cineasta descreveu sua obra como uma exploração do ‘nascimento, do sexo, da morte, e da busca de Deus’ e desafiou todos os tabus, apontando sua câmera para o ato sexual, partos e autópsias. “Não se trata de uma beleza estática”, afirma o crítico Fred Camper, curador do evento, “mas de uma espécie de beleza que limpa os sentidos, que parece atravessar a córnea e ir diretamente ao nervo ótico, que reorienta a maneira de se ver. Seus filmes servem de treinamento para o olhar, tanto para ver outros filmes quanto como uma abertura para modos imaginativos de se ver o mundo”.

As incontáveis inovações técnicas e estéticas de Stan Brakhage constituem um marco das relações entre cinema e artes plásticas. Sua influência atravessa gerações inteiras de realizadores dedicados ao cinema experimental, se estendendo também aos filmes de todos os gêneros: ficção, documentário, publicidade, animação e vídeos musicais. Todos os seus filmes estão atualmente sendo preservados pelo MoMA, de Nova York e pela Academy of Motion Picture Arts and Science.

A mostra Stan Brakhage – A aventura da percepção foi aprovada pelo edital 2008 de ocupação dos espaços da CAIXA Cultural.

Serviço
Cinema: Mostra Stan Brakhage – A aventura da percepção
Data: 07 a 12 de abril de 2009, de terça a domingo

MAIS DETALHES AQUI

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Meus melhores de 2008

Março 25, 2009 · 3 Comentários

E continuando a série de posts atrasados, mando aqui a minha lista de melhores filmes de 2008.

Com muito esforço fiz um levantamento dos filmes vistos ano passado. Minhas regras pessoais foram: vale todo filme de longa-metragem que eu tenha visto em 2008, em qualquer bitola ou situação, cuja data de finalização original seja de 2006 para cá (últimos três anos). Me pareceu um ano inferior ao anterior, mas talvez eu tenha esquecido de algum.

Sem mais delongas, meus MELHORES DE 2008:

Paranoid Park
1- Paranoid Park (Gus Van Sant, 2007)
A adolescência é cheia de som e fúria.

conte de noel
2- Un conte de Noël (Arnaud Desplechin, 2008)
A vida em família é cheia de fluxos de som e fúria.

sweeney todd
3-Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (Tim Burton, 2007)
A fascinação da violência gráfica.

4- WALL-E (Andrew Stanton, 2008)
Perfeição técnica (em qualquer sentido).

5- La Graine et le mulet (Abdel Kechiche, 2007)
Suspense com o preparo de um cuscus, não é pra qualquer um.

6-Falsa Loira (Carlos Reichenbach, 2007)
Rosane Carlão Mulholand.

7- Salamandra (Pablo Agüero, 2008)
Céu e inferno infantis, um do lado do outro.

8- Le Silence de Lorna (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2008)
Instinto materno selvagem.

9- The Mist (Frank Darabont, 2007)
Lost in the supermarket.

10- Fong juk / Exiled (Johnnie To, 2006)
Honra, reviravoltas, amizades e tiros, muito tiros..

E mais (mais ou menos na ordem):

There Will be Blood (Paul Thomas Anderson, 2007)
Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen, 2008)
O Fim da Picada (Christian Saghaard, 2008)
Stellet licht (Carlos Reygadas, 2007)
Persepolis (Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi, 2007)
Iron Man (Jon Favreau, 2008)
Linha de Passe (Walter Salles e Daniela Thomas, 2008)

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O Estado da Crítica

Março 24, 2009 · Deixe um comentário

O ESTADO DA CRÍTICA
Seminário Sobre a Crítica Cultural no Rio Grande do Sul

Debates : de 24 a 28 de março de 2009
Mostra de Filmes: de 24 de março a 5 de abril de 2009

Local: Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro – 3º andar)
Fone 3289 8133
www.salapfgastal.blogspot.com
GRADE DE HORÁRIOS

Primeira Semana (24 a 29 de março)

Terça-feira (24 de março)
15:00 – Lua de Papel
17:00 – Aleluia, Gretchen (entrada franca)
19:00 – Crítico, seguido da mesa Crítica de Cinema (entrada franca)

Quarta-feira (25 de março)
15:00 – Acossado
17:00 – Lua de Papel
19:00 – Mesa Crítica de Literatura (entrada franca)

Quinta-feira (26 de março)
15:00 – Aleluia, Gretchen (entrada franca)
17:00 – Acossado
19:00 – Mesa Crítica de Artes Plásticas (entrada franca)

Sexta-feira (27 de março)
15:00 – Acossado
17:00 – Programação Dia do Cinema Gaúcho – curtas Subsolo; Um Dia como Hoje; Sete Trouxas; Cortejo Negro; Rosário dos Navegantes e Cançó d’Amor (entrada franca)
19:00 – Mesa Crítica de Teatro (entrada franca)

Sábado (28 de março)
15:00 – Aleluia, Gretchen (entrada franca)
17:00 – Mesa Crítica de Música (entrada franca)
19:00 – O Vampiro da Cinemateca

Domingo (29 de março)
15:00 – Lua de Papel
17:00 – Lançamento DVDs de curtas de Antônio Carlos Texter: Urbano; Grafite; Carrossel, Quando o Dia Surgir e     Quintana dos 8 aos 80 (57 minutos) – entrada franca
19:00 – O Vampiro da Cinemateca

Segunda Semana (31 de março a 5 de abril)

Terça-feira (31 de março)
15:00 – Programa de Curtas
17:00 – O Coração dos Homens
19:00 – A Inglesa e o Duque

Quarta-feira (1º de abril)
15:00 – Lua de Papel
17:00 – Programa de Curtas
19:00 – Quem Sabe?

Quinta-feira (2 de abril)
15:00 – O Coração dos Homens
17:00 – Acossado
19:00 – A Inglesa e o Duque

Sexta-feira (3 de abril)
15:00 – Programa de Curtas
17:00 – O Coração dos Homens
19:00 – Projeto Raros – Céline e Julie vão de Barco, de Jacques Rivette (entrada franca)

Sábado (4 de abril)
15:00 – O Coração dos Homens
17:00 – O Vampiro da Cinemateca
19:00 – A Inglesa e o Duque

Domingo (5 de abril)
15:00 – O Vampiro da Cinemateca
17:00 – Programa de Curtas
19:00 – Quem Sabe?

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Voltando à programação normal: Alfred 2008

Março 22, 2009 · Deixe um comentário

Peço a todos minhas sinceras desculpas por mais de um mês parado, mas o roubo do meu laptop foi um golpe duríssimo: ao mesmo tempo instrumento de trabalho e computador pessoal, a máquina tinha arquivos preciosíssimos para mim (e que não valem nada para o larápio), incluindo aí projetos de trabalho, textos, roteiros, fotos de família… e minha lista de filmes vistos no ano de 2008, de que não tinha becape. Some-se a isso as férias de fevereiro e um início de março atolado em trabalho. Agora, às vésperas de comprar outro computador, retomo esse espaço aqui como posso.

Começo então com uma palhinha: como fiquei devendo a lista dos melhores do ano passado, coloco aqui meus votos para a primeira fase do Alfred 2008. Sim, sei que o assunto é velho, mas acho que tenho que voltar aos poucos. Sempre lembrando que: 1) para o Alfred valeram todos os filmes lançados em cinemas brasileiros em 2008, o que dá uma lista bem diferente da minha de melhores do ano, além das categorias detalhadas; 2) enviei essa lista uns três dias depois do roubo, graças ao apoio do Chico Fireman, então alguns deslizes serão notados:

FILME DO ANO
Paranoid Park
Um Conto de Natal
Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Wall-E
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

DIREÇÃO
Paranoid Park
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
O Segredo do Grão
Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Uma Garota Dividida em Dois

ATOR
Habib Boufares, de O Segredo do Grão
Daniel Day-Lewis, de Sangue Negro
Robert Downey Jr. , de Homem de Ferro
Philip Seymour Hoffman, de  Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
Jean Dujardin, de Agente 117 – Uma aventura no Cairo

ATRIZ
Ludivine Sagnier, de   Uma Garota Dividida em Dois
Arta Dobroshi, de    O Segredo de Lorna
Rosane Mullholland, de    Falsa Loira
Scarlett Johansson, de    Vicky Cristina Barcelona
Anamaria Marinca, de    4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

ATOR COADJUVANTE
Benoît Magimel , de    Uma Garota Dividida em Dois
Heath Ledger, de    Batman, o Cavaleiro das Trevas
Javier Bardem, de    Vicky Cristina Barcelona
Sacha Baron Cohen, de    Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Jeff Bridges, de    Homem de Ferro

ATRIZ COADJUVANTE
Hafsia Herzi, de    O Segredo do Grão
Cate Blanchett, de    Não Estou Lá
Marisa Tomei, de    Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
Djin Sganzerla , de   Falsa Loira
Chiara Mastroianni , de   Um Conto de Natal

ELENCO
O Segredo do Grão
Um Conto de Natal
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
Paranoid Park
Vicky Cristina Barcelona

CENA DO ANO
A briga na sauna, em    Senhores do Crime
O almoço em família , em   O Segredo do Grão
A última visita ao traficante, em    Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
O close final da Loira, sem saber o que fazer , em   Falsa Loira
O acidente pela memória do protagonista , em   Paranoid Park

ROTEIRO ORIGINAL
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
Um Conto de Natal
Wall-E
Vicky Cristina Barcelona
Uma Garota Dividida em Dois

ROTEIRO ADAPTADO
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (é, babei aqui!)
Persepolis
Agente 117 – Uma aventura no Cairo
Paranoid Park
O Nevoeiro

FILME DE ESTRÉIA
Feliz Natal
Meu Nome é Dindi
(babei aqui de novo, pois Persépolis entraria com certeza)

FILME BRASILEIRO
Serras da Desordem
Falsa Loira
Pan-Cinema Permanente
Linha de Passe
Feliz Natal

FOTOGRAFIA
Paranoid Park
Sangue Negro
Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
O Segredo do Grão
Não Estou Lá

MONTAGEM
Serras da Desordem
Paranoid Park
Um Conto de Natal
Onde os Fracos não têm Vez
Um Conto de Natal

DIREÇÃO DE ARTE
Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Wall-E
Agente 117 – Uma aventura no Cairo
Uma Garota Dividida em Dois
Batman, o Cavaleiro das Trevas

TRILHA SONORA
Paranoid Park
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
Sangue Negro
Wall-E
Caótica Ana

CANÇÃO
Sai Capeta que Jesus Vai te Pegar, de     Ainda Orangotangos
Soda Shop, de    Shortbus
Down to Earth, de    Wall-E
In the End, de    Shortbus

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direto dos emails: O Franco Atirador

Janeiro 28, 2009 · 5 Comentários

Prólogo: recebo um email do Fabiano de Souza, que está em Paris, falando como ver um filme do Lubitch tinha feito bem a ele.

Um dia depois:

On 24/01/2009, at 22:39, Fabiano Grendene de Souza wrote:

Nada melhor que um Cimino para enterrar um LUBITCH

Alô Milton!

Passei a vida toda fugindo do FRANCO ATIRADOR – como diria aquele, sabe-se lá por quê.

Estou estarrecido.

Abraços,

Fabiano

Em 27/01/2009, às 17:45, Milton do Prado escreveu:

Cara, minha história com esse filme é a seguinte:

no final dos anos 80, comecei a ver esse filme na TV, com meu pai. Estava adorando o filme, mas era madrugada e o cansaço me venceu depois de uma hora.

Semanas depois, peguei uma VHS com ele. Estava revendo o início e, depois de uns 30 minutos, o videocassete quebrou, antes do ponto onde tinha parado! Mandei para o conserto, levou dias para me darem a fita de vota, tive que devolver no video-clube (do Brasil!).

Depois sempre tentava pegar e ele nunca tava disponível.

Meses depois, perguntei pelo filme: um sócio tinha levado a fita e nunca mais a devolveu.

E eu, de minha parte, desisti do filme por ali. Nos anos 90 não se falava muito de Michael Cimino e eu fui na onda, ajudado pelas minhas tentativas frustradas.

Grande elipse: lá estou eu em Montreal, na época que trabalhei no restaurante. O trabalho era pesado, começava às 15 horas e ia até o último cliente, na verdade depois disso, até o último prato lavado. Com sorte saía à meia-noite, mas muitas vezes fui até às 3 da madruga. Chegava em casa, tomava um banho e não conseguia dormir logo: as mãos doendo, o barulho no ouvido, eu ia dormir no mínimo 2 horas depois. Então, depois de uma semana, comecei a pegar filmes para ver quando chegasse, já que eu ia ficar acordado, mesmo.

Poderia falar de vários filmes que vi nessas madrugadas cansadas e doloridas, mas sem sombra de dúvida a experiência mais marcante, bela e aterradora, foi ver O Franco Atirador. Comecei a ver às 2 da matina, ou seja, acabei ali depois das 5. Abri uma cerveja e fui para o quintal ver o sol nascer. Às 6 fui pra cama, mas não consegui dormir. Depois de uma hora me virando na cama, me levantei e saí para andar. Resultado: tive que sair para o trabalho às 14hs, sem ter dormido nem um minuto. Só sei que lavava os pratos com as imagens do filme na cabeça – e temos aí várias cenas memoráveis, como a dança no início, a roleta russa, De Niro voltando e caçando sozinho, o reencontro dos dois amigos no Vietnã (Christopher Walken enlouquecido), a cena final, de uma dor e ironia ímpares…

Cara, para mim O Franco Atirador é um país, habitado por fantasmas, e depois que tu vê o filme todo tu acaba morando lá também.

abração,

Milton


De: Fabiano Grendene de Souza <fabianodesouza@clubesilencio.com.br>
Data: 27 de janeiro de 2009 22h39min50s CET
Para: Milton do Prado <miltondoprado@yahoo.com.br>
Assunto: Re: Nada melhor que um Cimino para enterrar um LUBITCH

Cara, me emocionei ao ler o teu email…

Eu fiquei deveras tocado pelo filme – dá para dizer que até fisicamente. Voltei transtornado para casa, esquisito. A Gabi tinha dito que na saída eu podia tomar um chope. Preferi ficar de bico seco, porque deu vontade de tomar um caminhão de álcool – e isso já não estava permitido. Eheheh

Mas o filme é exemplar em retratar não só os dias anteriores à partida, mas um cotidiano cinzento, gelado. Aliás, o Cimino filma muito bem aquela paisagem incolor, onde sempre um vento, uma fumaça, desvela uma realidade que se liquefaz.

Aquela fábrica, cheia de soldas, de fogo explodindo, é um comentário sobre a guerra, antes da cizânia bélica entrar em cena.

E depois, aquela cena do bar. Todos cantando I LOVE YOU BABY é de rachar o coração. E o triângulo STREEP – DE NIRO – WALKEN? Aliás, o Walken está impossível – acho ele o grande personagem do filme.

E a elipse? Corta dos caras bêbados, com o gordo tocando piano, para os caras já dominados!!!! Aquela cena da roleta russa é demais! E depois vem aquela do helicóptero.

Mas a volta do personagem do DE NIRO também é ótima – e a relação dom a MARYL é demais. Um silêncio confuso, uma desilusão em tom menor…

Porque o que eu achei legal do filme é que é um filme que não se esgota na “guerra”: é Sobre amizade, amor, turma, tempo, retorno, geração e, claro, EUA.

A cena final não é só genial pelo cântico final, mas porque ninguém quer ficar à mesa. É quase uma dança…

Era isso,

Aquele abraço,

Fabiano

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CEN 2008 – longas

Janeiro 22, 2009 · 2 Comentários

Nesse segundo e último post sobre o Cine Esquema Novo 2008, vou me deter nos longas-metragens, que pela primeira vez estavam em competição, dividindo as categorias com os curtas, com exceção óbvia para “Melhor Longa-Metragem”. Os seis filmes em competição apresentavam um conjunto muito mais forte que os curtas-metragens – mesmo Sábado à Noite e Redemoinho-Poema, que não ficaram entre meus preferidos, são longas-metragens com propostas bem interessantes. Mas vamos aos quatro filmes que mais me marcaram:

Anabazys (Paloma Rocha e Joel Pizzini, 2007)
Documentário-ensaio sobre as filmagens de Idade na Terra, com um impressionante trabalho de montagem que reaproveita, reinterpreta e amplifica o filme de Glauber Rocha.

Meu Nome é Dindi (Bruno Safadi, 2008 )
Para além da atualização das referências do cinema marginal (ou seja, da referênca às referências), Meu Nome é Dindi constrói um universo bastante particular, uma Rio de Janeiro mítica entre a iconografia nostálgica e a paranóia. É provavelmente um dos filmes brasileiros mais irregulares dos últimos anos, mas antes uma estréia imperfeita e pulsante do que muito filme burocrático que se vê por aí.
Nesse liquidificador tropical há Bressane, Atom Egoyan – e, principalmente, há Djin Sganzerla.

O Fim da Picada (Christian Saghaard, 2008 )
Outro filho do cinema marginal, dessa vez apontando as lentes para a São Paulo atual, trazendo o passado e o mito para tentar entender a loucura da metrópole. Claro que para isso Saghaard apela para os tipos e os clichês, o que na maior parte do tempo não é nenhum problema graças ao registro do filme e à montagem inventiva, que cruza as várias histórias e multiplicam seus sentidos. À
s vezes assustador, às vezes engraçado, mistura de grito de impotência e brincadeira de moleque, O Fim da Picada é daqueles filmes que ficam por muito tempo reverberando na cabeça. Ganhou merecidamente o prêmio de Melhor Longa-Metragem. Como foi colocado na nossa justificativa, “um filme de Saci”!

Pan-Cinema Permanente, (de Carlos Nader, 2008 )
Aproveitando o privilégio de possuir um longo material pessoal de Wally Salomão, Carlos Nader fez um ótimo documentário à luz e semelhança de seu objeto: excessivo, engraçado e principalmente vivo. Mesmo que depois da metade o filme se torne repetitivo, ele nunca perde a coerência, pois Wally não era exatamente um primor de discrição e concisão. Se bem que Nader foi discreto, resolvendo problemas de formato de forma simples e eficiente – o material em vídeo não tem muita qualidade?, então não são os pixels que irão estourar na tela grande, mas a TV que vai se mostrar telinha na sala escura. Vou parar por aqui, porque estou vendo que o espírito de Wally já me contamina…

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Nunca antes visto na TV

Janeiro 18, 2009 · 9 Comentários

Não falarei do capítulo final de Maysa, série da qual assisti somente um capítulo e meio. Falarei rapidamente do que vi em geral, porque não acho que mereça mais do que algumas linhas: figurinos e arte caprichada, maquiagem ainda mais, uma atriz nova num trabalho de imersão fantástico, um trabalho de luz incomum na TV brasileira; mas também um texto vagabundo, uma direção incapaz de trabalhar as cenas seja no espaço (a cena da cachoeira é o maior exemplo: qual a distância entre Maysa e a cachoeira? Entre ela e as outras pessoas? Não basta colocar tudo no mesmo quadro…), seja no drama (até porque na maioria das vezes os atores estão apenas recitando o texto, mesmo que bem).

Mas o que mais me impressionou, que eu acho que é inédito na TV, foi a apresentação de uma cena que – esperava-se – era crucial na série: Maysa cantando Ne me quitte pas no Olympia, um dos pontos máximo de sua carreira em termos de ousadia e consagração. Pois bem, lá estavam a luz linda de Afonso Beatto, a atriz encarnada, a gravação ao vivo original (salvo falha minha), tudo no lugar. Ela começa a cantar, a câmera começa o travelling circular, corta pra mais longe, corta pra mais perto, nada com muito propósito, câmera sempre rodando, aquela coisa, mas ainda estamos interessados. Ainda ao som da música, vemos o filho dela no internato, onde tinha sido deixado alguns dias antes, e não há, por mais frouxo que seja, como evitar um fio de emoção que começa a se construir. Pois bem, volta a imagem da Maysa cantando e, depois de um verso, INTERVALO. Puta que o pariu. Cortaram a música no meio.

Mas o inédito vem agora: acaba o intervalo, volta a minissérie e… a apresentação continua do ponto onde parou !!!!!!! Uma cena-ápice, guiada por uma música, cortada ao meio na hora onde começava a emocionar… evidentemente, depois dos comerciais, ninguém volta a vê-la com o interesse de antes, tudo se esfria e a cena perde tudo que tinha construído até ali. Alguém pode me explicar qual a motivação para isso? Não precisa ser dramática, pode ser prática, comercial etc.

Já li muitas críticas de novelas e séries da Globo dizendo, explicitamente ou não, que os realizadores não sabem fazer cinema. Pois ali ficou claro para mim que o pessoal não sabia fazer televisão. Embora, claro, pode ser que eu é que ignore uma prática comum.

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