Amor Louco

Entradas do Abril 2009

Videodrome: não aceite imitações

Abril 28, 2009 · 3 Comentários

Saiu a notícia que vão refilmar Videodrome. E eu que pensava que o Cronembão, que já tascou sua refilmagem de um outro filme com A Mosca, estava livre disso. Sinceramente, certas coisas deveriam ser proibidas.

Ok, meu lado racional diz que devemos esperar pelo filme para julgá-lo. Só sei de uma coisa: duvido que o trailer da nova versão seja tão bom quanto esse:

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Ano da França: um pouco menos do mesmo

Abril 27, 2009 · 2 Comentários

Ok, temos que admitir: o tal do ano da França no Brasil ajuda, aos poucos, a sacudir a pasmacenta programação de cinema nos cinemas porto-alegrenses. Vejamos:

- Mostra Jacques Demy no Cine Bancários: já foi, perdi por causa de uma viagem. Mas foi bastante representativa, sem falar que não me lembro de nada parecido de 1994 pra cá.

- Mostra Alain Resnais no Cine Santander. Não é completa, mas é muito boa. Oportunidade de ver Stavisky e Meu Tio na América em tela grande e especular sobre Les herbes folles.

- Mostra Marguerite Duras na Sala PF Gastal. Começa semana que vem. Imperdível, a começar por India Song.

E assim caminhamos, com outras promessas alinhavadas, entre elas de trazer algum filme do Jean Eustache. Ficamos na torcida também por algum Rivette ou um Philippe Garrel mais antigo, por que não?


PROGRAMAÇÃO MOSTRA ALAIN RESNAIS (Cine Santander):

28 e 29 de abril
15h00               Hiroshima meu amor
16h45               Meu tio da América
19h00               O ano passado em Marienbad

30 de abril
14h30               Stavisky
16h45               Muriel ou O tempo de um retorno
19h00               Meu tio da América (Cineclube Projeto com Claudia Laitano)

1º e 2 de maio
15h00               Muriel ou O tempo de um retorno
17h30               Documentários 2
19h00               Hiroshima meu amor

3 de maio
15h00               Meu tio da América
17h30               Documentários 1
19h00               Stavisky

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA MARGUERITE DURAS (SALA PF GASTAL):

Sexta-feira (1º de maio)
15h – Destruir, Disse Ela
17h – As Crianças
19h – Destruir, Disse Ela

Sábado (2 de maio)
15h – As Crianças
17h – Destruir, Disse Ela
19h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas

Domingo (3 de maio)
15h – Destruir, Disse Ela
17h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
19h – India Song

Terça-feira (5 de maio)
15h – India Song
17h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melourne)
19h – India Song

Quarta-feira (6 de maio)
15h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
17h – India Song
19h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melbourne)

Quinta-feira (7 de maio)
15h – O Homem Atlântico + Aurélia Steiner (Melbourne)
17h – Césarée + Agatha ou As Leituras Ilimitadas
19h – As Crianças

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Inland

Abril 26, 2009 · Deixe um comentário

Um agrimensor topa fazer as medições numa região da Argélia devastada por conflitos e ataques terroristas. Detalhe: ele mesmo é um ex-militante político, que vive agora meio isolado do mundo. No novo trabalho, ele entra em contato com uma refugiada do Sudão que, separada do seu grupo que foi quase completamente assassinado, desiste de emigrar para a Europa e decide voltar para o país natal. A segunda parte do filme vai ser essa jornada pelo deserto, de carro, de moto, a pé, enquanto são seguidos pela lei e pelo patrão.

Essa sinopse simplificada de Inland (Gabbla, 2008), de Tariq Teguia pode deixar duas impressões erradas sobre filme:

1- que ele vai na mesma linha de, por exemplo, Exils, de Tony Gatlif. Na verdade o filme de Teguia está muito mais alinhado com boa parte da filmografia de Antonioni – arriscaria dizer que poucos filmes recentes atualizam o mestre italiano tão bem quanto esse. Que não se espere do filme então nenhum “tratado sobre incomunicabilidade”; o que importa aqui são a fricção entre os conflitos políticos e os pessoais -  ou, melhor, o questionamento e embaralhamento das fronteiras entre uns e outros -; a estranha poesia que nasce dos deslocamentos em lugares vastos, às vezes inóspitos, muitas vezes indefinidos; consequentemente, a noção bastante imprecisa de identidade. Não faltam exemplos no filme: a discussão político-revolucionária inicial em grupo (como em Zabriskie Point), o sentido de não pertencer ao lugar e possibilidade de assumir uma outra identidade (Profissão: Repórter, com direito a câmeras aproximando-se de janelas), o sexo no deserto (de novo, Zabriskie Point), mas sobretudo dos personagens em longos planos que beiram a abstração (aqui, de forma bem mais assumida, é verdade).

2- que o filme se constrói dessa forma linear e fechada. Na verdade tanto a narrativa aberta do filme expõe várias possibilidades que não se concluem (quem é o homem que se suicida no início?), quanto seu figurativismo flerta com muita facilidade com o abstrato, mostrando um grande talento para mostrar o potencial plástico de imagens aparentemente realistas do vídeo. Em suma, Inland é um filme extremamente sensorial, como era, digamos, Brown Bunny, mas muito mais bem resolvido narrativamente. E o uso da música é fantástico.

Tariq Teguia, um nome a se seguir de perto.

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