Amor Louco

Nunca antes visto na TV

Janeiro 18, 2009 · 9 Comentários

Não falarei do capítulo final de Maysa, série da qual assisti somente um capítulo e meio. Falarei rapidamente do que vi em geral, porque não acho que mereça mais do que algumas linhas: figurinos e arte caprichada, maquiagem ainda mais, uma atriz nova num trabalho de imersão fantástico, um trabalho de luz incomum na TV brasileira; mas também um texto vagabundo, uma direção incapaz de trabalhar as cenas seja no espaço (a cena da cachoeira é o maior exemplo: qual a distância entre Maysa e a cachoeira? Entre ela e as outras pessoas? Não basta colocar tudo no mesmo quadro…), seja no drama (até porque na maioria das vezes os atores estão apenas recitando o texto, mesmo que bem).

Mas o que mais me impressionou, que eu acho que é inédito na TV, foi a apresentação de uma cena que – esperava-se – era crucial na série: Maysa cantando Ne me quitte pas no Olympia, um dos pontos máximo de sua carreira em termos de ousadia e consagração. Pois bem, lá estavam a luz linda de Afonso Beatto, a atriz encarnada, a gravação ao vivo original (salvo falha minha), tudo no lugar. Ela começa a cantar, a câmera começa o travelling circular, corta pra mais longe, corta pra mais perto, nada com muito propósito, câmera sempre rodando, aquela coisa, mas ainda estamos interessados. Ainda ao som da música, vemos o filho dela no internato, onde tinha sido deixado alguns dias antes, e não há, por mais frouxo que seja, como evitar um fio de emoção que começa a se construir. Pois bem, volta a imagem da Maysa cantando e, depois de um verso, INTERVALO. Puta que o pariu. Cortaram a música no meio.

Mas o inédito vem agora: acaba o intervalo, volta a minissérie e… a apresentação continua do ponto onde parou !!!!!!! Uma cena-ápice, guiada por uma música, cortada ao meio na hora onde começava a emocionar… evidentemente, depois dos comerciais, ninguém volta a vê-la com o interesse de antes, tudo se esfria e a cena perde tudo que tinha construído até ali. Alguém pode me explicar qual a motivação para isso? Não precisa ser dramática, pode ser prática, comercial etc.

Já li muitas críticas de novelas e séries da Globo dizendo, explicitamente ou não, que os realizadores não sabem fazer cinema. Pois ali ficou claro para mim que o pessoal não sabia fazer televisão. Embora, claro, pode ser que eu é que ignore uma prática comum.

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9 respostas Até agora ↓

  • netiteve // Janeiro 18, 2009 às 8:22 pm

    Olha, eu acho que foi pura maluquice do Jayme ou de um editor desatento.

    Não dá nem pra dizer que foi um motivo de formato porque a Globo fez cada capítulo com uma duração diferente. As produtoras lá fora sempre fazem com uma mesma duração e, quando precisam, cortam cenas inteiras só para o produto ficar no padrão. Aqui não, Maysa teve capitulo de mais de uma hora e depois no dia seguinte de meia hora. Falta de material para colocar?

    O padrão Globo de qualidade é muitas vezes um engodo. Um das faltas de juízo dessa minissérie é que fizeram filmagens em Veneza, para o casamento de Maysa e Andre. Foram diversas locações com eles sorrindo para lá e pra cá. Sem uma linha de diálogo. Desperdício de dinheiro para produzir cenas de cartão postal.

    Pra mim, Maysa foi apenas mediana. Não fiquei empolgado em nenhum capítulo. O que salvou foi a interpretação de Larissa Maciel.

  • Keenan // Janeiro 18, 2009 às 8:57 pm

    As series da Globo deviam servir de respiro ao formatao das novelas mas isso nao acontece, com a exceçao de Luis Fernando Carvalho. Maysa serviu para elevar o nivel tecnico com cameras top HD, luz e arte mais elaboradas mas misen scene zero.

  • Wallace // Janeiro 19, 2009 às 2:21 am

    Pois é, bastante pertinente seu comentário, Milton. E as pessoas ainda se impressionam com as séries da Globo que, na verdade, com algumas exceções, são grandes porcarias.
    Quanto à Maysa, também só vi alguns pedaços, e até pensei em me esforçar para acompanhá-la mas me pareceu tudo muito “Olga” … mas fiquei encantado com a beleza e com o trabalho da protagonista.

  • Michel Simões // Janeiro 19, 2009 às 1:29 pm

    Hilário Milton, só rindo depois de uma cagada dessa, eu q não vi um segundo já tava ficando empolgando com seu relato! Q absurdo!

  • doprado // Janeiro 19, 2009 às 5:26 pm

    netiteve, acho difícil ter sido obra de um editor desatento, até porque essas decisões devem ser tomadas por gente mais acima na cadeia produtiva interna. Por isso, e respondendo também ao Michel, não sei se foi uma “cagada” ou foi intencional (qualquer uma das opções é absurda). Mas que as coisas às vezes são mais bagunçadas do que a gente pensa, isso são.

    Ao Keenan e Wallace: eu ia abrir o texto dizendo que o que eu vi era melhor que Olga, mas isso não iria dizer muita coisa.

  • Moisés // Janeiro 20, 2009 às 4:53 am

    Aguentei poucos minutos, sempre que tentei ver – não foram muitas vezes. Ao contrário de muitos, achei a interpretação da protagonista muito ruim, além dos habituais roteiros podres das séries da Globo. A luz era boa, mas enfeitada demais, forçada. Forçado é uma boa palavra para definir a série.

  • Marcelo V. // Janeiro 21, 2009 às 8:10 pm

    Milton, por uma coincidência, essa foi a única cena da série que eu vi. Também estava impressionado com a beleza (o figurino que a atriz usava era espetacular – vieram à minha mente imagens de filmes de Lynch e Hitchcock) e também levei um susto tremendo com a entrada da vinheta para o comercial _só que eu mudei de canal em seguida e não vi o resto da cena, que havia dado por encerrada ali.

  • doprado // Janeiro 22, 2009 às 8:01 pm

    Moisés, a interpretação da Larissa – que eu defendo – é discutível, mas a luz de Afonso Beato está a anos-luz em termos de sofisticação de 99% do que se faz na TV. Concordo quanto ao “forçado”.

    “vieram à minha mente imagens de filmes de Lynch e Hitchcock”

    Não cheguei a tanto, Marcelo!
    Mas voltando à cena, eu também pensava que a mancada parava por ali… o susto foi maior na volta!

  • netiteve // Janeiro 22, 2009 às 11:33 pm

    Essa mesma “mancada” de edição aconteceu no capítulo seguinte e do mesmo jeito. Comercial no meio da música e depois retorna de onde parou.

    Duas vezes já vira estilo…. eh ehe he

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